O Santo Graal

Lenda ou realidade? Eis uma das questões mais pertinentes da História. O nome Graal vem acompanhado de personagens lendários, como o rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, assim como também faz parte da história da igreja cristã, como o cálice usado por Jesus em sua última ceia com seus apóstolos antes da crucificação.
A palavra graal significa vaso, cálice ou taça grande. Com algumas variâncias, as lendas do Santo Graal encontram-se em quase todas as literaturas da Europa Ocidental, sobretudo da Inglaterra, França e Alemanha.
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Segundo a tradição do cristianismo, o Graal teria sido o cálice que Jesus Cristo utilizou na última ceia, instituindo a eucaristia. José de Arimatéia teria pegado o cálice e nele depositado o sangue que corria das feridas de Cristo crucificado, levando o Graal para as ilhas britânicas. Por que teria José de Arimatéia levado o cálice para tão distante terra, numa época em que a navegação não era bem desenvolvida? Uma das hipóteses é que ele era um mercador da Judéia, muito rico, que conheceu Jesus e dele ficou amigo. Após sua morte foi para a Britânia, onde provavelmente mantinha relações comerciais, e por lá ficou para pregar a fé cristã. Em Glastonbury, fundou a primeira igreja cristã da Inglaterra (que ainda existe - imagem ao lado - leia mais sobre essa cidade em Lugares Sagrados e Místicos). |
Essa versão é uma das mais conhecidas, porém não é muito divulgada pela Igreja Católica. Por quê? Porque, antes mesmo do surgimento do cristianismo, já existiam nas lendas dos povos celtas, referências a cálices sagrados. Ou seja, contestaria toda a história da Igreja Cristã, além de que nas lendas celtas, o cálice era intimamente ligado à imagem feminina, contrariamente à doutrina cristã que inferioriza as mulheres. Na mitologia céltica, o 'caldeirão' era um símbolo sagrado, representava a fertilidade feminina, o grande útero, de onde todas as coisas vinham e para onde retornariam. Talvez daí nascesse a crença em cálices sagrados, dotados de capacidades mágicas, dando a imortalidade a quem deles bebesse.
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Porém, a versão que mais fascina, a meu ver, é a que liga o Santo Graal às lendas arthurianas. Arthur era o rei da Britânia, que se reunia com seus cavaleiros ao redor da Távola Redonda. Havia sempre, porém, um lugar vazio na mesa. Este era reservado a um cavaleiro de grandes virtudes, que seria aquele que encontraria o cálice sagrado. O cavaleiro era Lancelot, que chegou a encontrar o Graal, mas pôde apenas contemplá-lo com os olhos, não poderia tocá-lo, pois sua pureza fora manchada pelo adultério, que cometera com a rainha Guinevere. |
O rei mandou seus cavaleiros em busca do Graal por toda a Europa. Morreram muitos. No final, quem encontrou o cálice foi Galaad, filho de Lancelot, um cavaleiro de grandes virtudes e pureza. Porém, tocar no cálice foi mortal, e Galaad foi levado aos céus pelos anjos. A história é bastante controversa, envolve muitos nomes, entre eles Percival, Tristão, Lancelot do Lago, Merlin.... Mas, com certeza é fascinante! Ainda relacionando às lendas arthurianas, segundo os livros de Marion Zimmer Bradley (autora de As Brumas de Avalon), o cálice teria sido levado por José de Arimatéia para a ilha de Avalon (que muitos julgam como sendo a atual Glastonbury), e escondido no poço sagrado, pois deveria ser guardado por uma mulher. O Graal era um dos tesouros de Avalon, e tinha como guardiã uma das sacerdotisas da ilha. Aqui, nota-se o cruzamento de tradições cristãs e pagãs, ligadas à lenda do cálice sagrado.
Uma terceira hipótese, e a mais polêmica de todas, é a que diz que o Graal não é um cálice, nem objeto. É uma linhagem dos descendentes de Jesus Cristo. Segundo a teoria, Jesus não teria morrido e casou-se com Maria Madalena, com quem teve filhos. E esses filhos deram origem às dinastias européias que reinariam mais adiante, como os Merovíngeos, no atual território conhecido por França. Fala-se da 'Prior de Sion', que seria uma seita secreta que continua buscando manter essa linhagem de descendência de Jesus. E que os Templários tiveram origem dessa seita, inclusive, chegaram a possuir o Santo Graal, segundo hipóteses, além de outros tesouros. Sendo esse o motivo que fez o rei da França, Filipe, o Belo, acabar com a ordem, pois almejava gananciosamente todos os tesouros adquiridos pelos cavaleiros templários. Após a dissolução da Ordem Templária, teria havido muitas ramificações, as quais existem hoje em dia e têm ligação com as antigas tradições das Ordens Templárias. A maçonaria seria uma dessas ordens, assim como a Rosa Cruz (AMORC). (Leia mais sobre a Ordem do Templo.)